O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na manhã desta quinta-feira (6/8) na tentativa de reduzir a tensão entre o magistrado e a cúpula da Polícia Federal (PF). O encontro foi articulado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que é amigo dos dois e também participou da conversa.
Segundo interlocutores, o objetivo do encontro foi “colocar a bola no chão” e reorganizar o fluxo de comunicação entre o STF e a corporação. A conversa marca a criação de um canal na pasta com Mendonça — que vinha, até aqui, em pé de guerra com a corporação, que está sob o guarda-chuva da Justiça. Até então, o ministro vinha participando pouco dessa interlocução — o que deve mudar a partir de agora, com ele atuando como uma espécie de intermediário na crise.
Como o JOTA mostrou, as investigações que alcançam o entorno de Lula e de Flávio Bolsonaro colocaram o STF e a PF no centro da eleição de 2026. Em uma disputa polarizada, cada novo inquérito, vazamento ou decisão judicial tem potencial para alterar a agenda das campanhas e a percepção do eleitorado.
No encontro desta quinta, Mendonça reclamou da PF, sobretudo da lentidão das investigações sob sua relatoria. O ministro está com os dois principais inquéritos na Corte atualmente: o do caso Master e do INSS. Além desses, ainda estão sob sua alçada dois inquéritos que investigam atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Ficou acertado que as equipes técnicas da pasta e do magistrado vão ter maior contato e troca. A avaliação de quem participou é que a reunião serviu para abrir um canal de diálogo entre as partes.
Há um entendimento comum a todos os lados envolvidos de que é preciso desescalar a crise entre Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Um encontro direto entre os dois não está no horizonte.
A origem do atrito
O conflito que já vinha sendo comentado nos bastidores ficou evidente com as novas investigações contra o Lulinha no STF. O desconforto entre a PF e o gabinete de André Mendonça já havia se intensificado durante o andamento das investigações do Banco Master e do INSS.
De ambos os lados, há a percepção de que as ações são conduzidas de forma seletiva. Na PF, a reclamação é que o ministro estaria travando investigações, como pedir mais informações – analisadas, às vezes, como pouco razoáveis – antes de autorizar diligências, o que vem sendo interpretado na corporação como uma forma de ganhar tempo.
Do lado de Mendonça, interlocutores fazem uma queixa semelhante: a de que a PF adota ritmos diferentes para entregar relatórios e elementos investigativos, a depender do investigado. Um dos exemplos citados pelo gabinete foi a demora no envio do material das investigações sobre as fraudes no INSS que deram origem aos novos inquéritos contra Lulinha.
Um episódio público de atrito ocorreu quando Mendonça determinou à PF que todos os atos da apuração do INSS fossem incluídos no processo que tramita em seu gabinete e que eventuais alterações na equipe fossem comunicadas.
Interlocutores ouvidos pelo JOTA afirmam que o ministro se incomodou ao ser informado por um advogado, durante uma audiência em seu gabinete, sobre a troca na coordenação do inquérito do INSS. Em resposta, a PF acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar reverter a decisão.
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Messias, que é amigo dos dois, articulou encontro, do qual também participou; Mendonça reclamou da lentidão da PF em investigações