Lula lidera primeiro turno, mas empata com Flávio Bolsonaro no segundo, aponta Palver
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Lula lidera primeiro turno, mas empata com Flávio Bolsonaro no segundo, aponta Palver
Lula lidera primeiro turno, mas empata com Flávio Bolsonaro no segundo, aponta PalverPrimeira pesquisa da Palver também mostra presidente e senador com os maiores índices de rejeição, em 52% e 51%, empatado tecnicamente

O primeiro levantamento da Palver sobre a corrida presidencial, divulgado nesta segunda-feira (10/8), mostra uma disputa cada vez mais concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os dois reúnem 80% das intenções de voto espontâneas e iniciam oficialmente a campanha como os principais polos da disputa. Nos cenários estimulados, Lula aparece à frente, mas sem uma vantagem folgada. No segundo turno, Flávio Bolsonaro consegue concentrar a maior parte do campo oposicionista e empata numericamente com Lula.

No primeiro turno, Lula aparece numericamente à frente de Flávio nos dois cenários estimulados testados pela consultoria. No primeiro, o presidente tem 44%, contra 40% do senador, enquanto Renan Santos aparece com 10%. No segundo, com uma lista mais enxuta, Lula avança para 45%, enquanto Flávio permanece em 40% e Renan mantém os mesmos 10%

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.Nos principais recortes, Lula apresenta desempenho crescente com a idade e a renda, chegando a 56% de preferência entre eleitores com 60 anos ou mais e a 49% entre os de renda superior a cinco salários mínimos. Também lidera entre mulheres (53%) e eleitores com ensino superior (56%).

Flávio Bolsonaro, por outro lado, tem desempenho relativamente mais equilibrado entre faixas etárias, mas perde força entre os mais escolarizados e de maior renda, nos quais registra 28% e 27%, respectivamente.

Regionalmente, o mapa também é bastante distinto. Lula apresenta seus melhores resultados no Nordeste, com 60%, e no Norte, com 43%, enquanto Flávio Bolsonaro tem desempenho mais forte no Sul, com 48%, no Centro-Oeste, com 47%, e no Sudeste, com 42%.

No quesito religião, Lula alcança 52% das intenções de voto entre católicos e 64% entre eleitores sem religião, mas cai para 25% entre os protestantes/evangélicos. Flávio Bolsonaro faz o movimento inverso: chega a 59% entre evangélicos, contra 39% entre católicos e apenas 15% entre os eleitores sem religião. O cruzamento, portanto, sugere que a clivagem religiosa permanece relevante para a formação dos dois eleitorados, sobretudo na vantagem de Flávio entre evangélicos.

Entre os independentes, a disputa é mais aberta: Lula tem 31%, Flávio 29% e Renan 28%. O dado mostra bases ideológicas consolidadas para os dois principais candidatos, mas também um eleitorado independente dividido, com leve vantagem dos nomes de direita.

Empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno

No segundo turno, porém, a fotografia muda substancialmente. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois aparecem empatados numericamente, com 46% para cada um, enquanto 8% se dividem entre votos brancos, nulos, eleitores que não votariam e os que não sabem.

O resultado produz uma disputa significativamente mais equilibrada do que a observada no primeiro turno e mostra que a vantagem de Lula na primeira etapa não se converte, neste momento, em vantagem sobre Flávio no confronto final.

A vantagem de Lula no segundo turno aparece quando o adversário é outro nome da direita. Contra Romeu Zema (Novo), o presidente marca 46%, ante 39% do governador, enquanto contra Ronaldo Caiado (PSD) o placar é de 45% a 38%. Diante de Renan Santos, a vantagem é ainda maior: Lula tem 46%, contra 31% do candidato do Missão. Nesse cenário, porém, cresce a parcela de eleitores que declara que não votaria, indicando maior dificuldade de Renan em mobilizar o eleitorado de direita num eventual confronto direto com o presidente.]

Empate de Lula e Flávio Bolsonaro também na rejeição

A rejeição coloca Lula e Flávio em um mesmo patamar elevado, em situação de empate técnico: 52% dizem que não votariam de jeito nenhum no presidente, ante 51% que rejeitam Flávio. Na sequência aparecem Romeu Zema, com 43%, Ronaldo Caiado, com 41%, e Renan Santos, com 37%.

A concentração das maiores taxas entre os dois principais candidatos reforça o caráter polarizado da disputa: Lula e Flávio são, ao mesmo tempo, os nomes que concentram mais votos e os que enfrentam as maiores barreiras à expansão de seus eleitorados.

Esse equilíbrio também aparece na percepção sobre o que seria o pior resultado da eleição. 45% dizem ter mais medo de uma reeleição de Lula, enquanto outros 45% afirmam temer mais uma vitória de Flávio Bolsonaro. Os números aferidos pela Palver sugerem que a disputa não se organiza apenas em torno da preferência por um candidato, mas também de fortes sentimentos de rejeição ao adversário.

Identidade política

A pesquisa também classificou os entrevistados em estratos de identificação política. A identificação política mostra um eleitorado fortemente organizado em dois campos, mas com leve vantagem da direita: 43% se identificam com a direita ou com o bolsonarismo, ante 41% que se posicionam à esquerda ou se identificam com o lulismo. O centro aparece com espaço reduzido: 15% se declaram independentes.

Além disso, 54% se declaram totalmente antipetistas, enquanto 40% afirmam não ter nenhuma rejeição ao PT. No outro polo, 52% se identificam como antibolsonaristas. O equilíbrio entre os dois sentimentos ajuda a explicar os resultados observados na pesquisa e a forte concentração da disputa em torno de Lula e Flávio Bolsonaro.

Cautela ao extrapolar os números

Um aspecto que merece atenção é a virtual ausência de eleitores indecisos, votos brancos ou nulos e abstenção entre os participantes da pesquisa. Esse resultado sugere uma amostra com um grau de engajamento político potencialmente superior ao observado no eleitorado médio.

A própria Palver alerta que a pesquisa pode sofrer com erro de seleção, já que a participação depende da exposição ao anúncio e da decisão do entrevistado de responder, e reconhece que quem participa pode ser mais interessado no tema eleitoral.

Sobre a pesquisa

A Palver entrevistou 5.000 participantes recrutados por meio de anúncios em redes sociais, entre os dias 3 e 7 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-06596/2026.

A Palver  merece destaque pela transparência metodológica. Ela é a primeira consultoria a divulgar de forma bastante detalhada sua estratégia de recrutamento digital e o algoritmo utilizado para calibrar e pós-estratificar a amostra no ato da divulgação dos resultados.

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