A Monkey e a B3 realizaram a primeira negociação de antecipação de recebíveis no ambiente de duplicata escritural no país na última terça-feira (18/8). As informações foram compartilhadas com o JOTA com exclusividade.
A duplicata escritural é um projeto que vem sendo desenvolvido pelo mercado e pelo Banco Central (BC) desde de 2018 e que entrou na fase de produção assistida, um momento de testes com os sistemas já em operação, em julho. A duplicata escritural é uma versão digital do documento que representa um título de um crédito a ser recebido por um fornecedor e pode ser utilizado, por exemplo, como garantia de uma operação de crédito.
Depois de um processo de testes, três empresas receberam a autorização para atuar na escrituração dos títulos: a B3, a Cerc e a Núclea. A Monkey faz a orquestração da operação e conecta as partes envolvidas, como quem quer tomar o crédito e o financiador, a registradora e a escrituradora.
No caso da primeira negociação, a jornada completa foi feita dentro do sistema de duplicata escritural. Houve a emissão da nota fiscal de um fornecimento de serviços, ela foi escriturada pela B3 e se tornou uma duplicata escritural. Houve, então, uma antecipação de recebíveis pelo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) da Echoes Capital. “Escrituração, registro e antecipação realizadas no ecossistema de duplicatas escriturais”, disse o CFO da Monkey, Calil Gedeon.
O início da etapa de produção assistida foi no dia 15 de julho e a estimativa é que dure seis meses. Esse período servirá para que as escrituradoras testem as operações em um ambiente real, com empresas e financiadores selecionados.
Para explicar porque a primeira negociação no ambiente de duplicata escritural foi feita cerca de um mês depois do início da produção assistida, Roberta Fortunato, superintendente de produtos da B3, afirmou que esse é um momento mais restrito das operações.
Ela pontuou, por exemplo, que o fornecedor que quer antecipar os recursos não pode ter nenhum contrato de recebível futuro e o comprador precisa estar cadastrado em uma Infraestrutura de Mercado Financeiro (IMF).
“Esse conjunto de restrições que você tem nesse modelo acabam selecionando mesmo quem toparia estar dentro dessas condições para poder escriturar uma duplicata, e além disso você precisa ter o financiador conectado também com a IMF para acontecer essa negociação dentro do ambiente da escritural”, afirmou Fortunato.
Roberta Ferraz, partner e diretora de Novos Negócios da Monkey, ressaltou que há muitos “lados positivos” de começar a fazer as duplicatas logo nesse início de operação e que a Monkey está selecionando empresas que tenham o perfil.
“A gente tem alguns nomes aqui que a gente está conversando para entrada ainda neste semestre e aí sim começar a operar com mais frequência e, a partir do próximo semestre, primeiro semestre do ano que vem, aí sim, provavelmente, quase todas as empresas já devem estar adaptadas nesse modelo”, disse.
O calendário da duplicata escritural prevê o início do período de produção plena em janeiro do ano que vem. As empresas passam a ser obrigadas a escriturar suas duplicatas em um cronograma posterior escalonado: as grandes empresas a partir da metade de 2027, as empresas médias, seis meses depois e as pequenas empresas, mais seis meses depois.
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Etapa de produção assistida começou em julho