Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e economista que assessora a campanha de Flávio Bolsonaro nas eleições 2026, falou nesta terça-feira (25/8), durante evento do Movimento Brasil Competitivo (MBC) e da EXAME, sobre a agenda econômica a ser seguida caso o senador seja eleito presidente. Marques fez críticas ao arcabouço fiscal e propôs uma revisão ao modelo, sugerindo uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda no período de transição. Dentro das propostas de redução de gastos, a economista também citou o plano para um corte de dez ministérios, sem especificar quais.
Marques enfatizou que o plano econômico de Flávio Bolsonaro deve ser focado na “recuperação da confiança e da credibilidade” do país no que se refere aos gastos públicos. A economista afirmou que, se eleito, o atual senador e sua equipe técnica irão propor um diálogo com os Poderes, criando uma instância de governança chamada “Conselho Superior da República ou da Governança Fiscal”.
O objetivo é reunir as esferas do governo para debater uma PEC focada em um ajuste fiscal pelo lado das despesas e na criação de uma âncora fiscal baseada na dívida pública.
“Existe uma série de excessos hoje na própria estrutura administrativa, não só do Poder Executivo (…). Hoje a gente tem o Judiciário e o Congresso mais caros do mundo, per capita, por cidadão, e não há como fazer essa autocontenção e dar luz a esse problema podendo utilizar a própria instituição do Senado para subsidiar, dar transparência e luz sobre onde estão alocados hoje os gastos e a qualidade desses gastos, para que todos venham para o debate e participem coletivamente, porque a conta está ficando totalmente impagável para nós, pagadores de impostos, e para a população brasileira”, afirmou.
Segundo Marques, a proposta deve ser debatida ainda no período de transição. “O Brasil aponta para um Congresso majoritariamente de centro-direita, então a ideia é levar essa discussão ainda na transição para o colégio de líderes”, afirmou.
A economista ainda criticou o arcabouço fiscal e propôs uma revisão no mecanismo. “Arcabouço fiscal claramente não tem credibilidade mais e é continuamente burlado, não funciona e não tem sido efetivo no controle, deve-se criar um tipo de mecanismo de controle da trajetória da dívida PIB”, afirmou.
Marques ainda sinalizou o enxugamento de ministérios e de cargos comissionados para a contenção. “A gente tem mais ministérios do que a Venezuela. 38 ministérios, não cabe nem em uma foto, e milhares de repartições, custeadas com o dinheiro de um pagador de impostos, que não resolvem o problema do cidadão”.
Além disso, a economista afirmou que um dos objetivos de um eventual governo de Flávio Bolsonaro é “dar mais eficiência na gestão das estatais”, não para contratar gastos permanentes, “mas sim para investir parte na redução da dívida, olhando para a geração da parte de infraestrutura e principalmente olhando para os brasileiros, tentando tirar os brasileiros desse ciclo de endividamento e entrar num ciclo de acumulação de patrimônio”.
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De acordo com Daniella Marques, plano prevê revisão do arcabouço fiscal e medidas para reduzir a dívida pública