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JOTA Principal | Investigações e ações no Supremo ganham protagonismo nas campanhas e influenciam eleitores
Decisões de André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes têm pautado os debates das eleições
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O ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, sugeriu para as eleições uma tese que diferencia conteúdo sintético produzido por IA de deepfake, Fabio MuraKawa e Flávia Maia escrevem no JOTA PRO Poder.

Pela proposta, a mera utilização de IA não é suficiente para caracterizar deepfake, mas sim o grau de realismo apto a criar a falsa percepção de autenticidade.

Dessa forma, na avaliação de Mendonça, caricaturas, memes, sátiras visuais e animações claramente irreais ficam no regime de rotulagem de IA e não podem ser classificadas como deepfakes.

Ainda que desta vez a decisão tenha partido de seu cargo na Justiça Eleitoral, Mendonça também tem tido influência na campanha por meio de decisões no Supremo Tribunal Federal — bem como outros dois colegas, os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes.

Investigações e ações conduzidas por eles ganharam protagonismo nas campanhas e vêm influenciando o humor dos eleitores, Flávia Maia analisa na nota de abertura. E o poder desses ministros não se restringe à campanha presidencial.

Boa leitura.


O PONTO CENTRAL

1. Supremos protagonistas

Mesmo sem o nome nas urnas, três ministros do Supremo Tribunal Federal têm pautado os debates das eleições, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.

  • Investigações e ações conduzidas por Flávio Dino, André Mendonça e Alexandre de Moraes ganharam protagonismo nas campanhas e vêm influenciando o humor dos eleitores, captado pelas pesquisas de intenção.

Por que importa: Em uma eleição voto a voto, cada movimento pendular a um dos lados, mesmo que mínimo, pode ser decisivo.

  • Chama a atenção que as principais decisões que vêm afetando as campanhas estão menos na arena da Justiça Eleitoral e mais no Supremo.
  • Enquanto no STF há movimentações com impactos diretos nas campanhas, o Tribunal Superior Eleitoral, sob o comando de Nunes Marques, tem encontrado dificuldade em definir de forma ágil temas essenciais, como a caracterização de deepfakes e o uso de recursos audiovisuais em pesquisas.

O poder de influência desses ministros não se restringe à campanha presidencial.

  • Mendonça tem em mãos os inquéritos do INSS e do Master, que já colocaram sob alvo da Polícia Federal pré-candidatos à reeleição: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
  • Dino, por sua vez, conduz a ação sobre emendas parlamentares e as investigações sobre o uso irregular desse recurso público.
  • No domingo (23), ele determinou que Câmara e Senado devem considerar nulas eventuais emendas indicadas por presidentes de partidos sem mandato no Congresso e ex-parlamentares.
  • As medidas foram tomadas após o próprio ministro determinar a suspensão de emendas suspeitas e o bloqueio de recursos do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG).

No mundo político, não há dúvidas de que as investigações e ações no Supremo mexem com o tabuleiro eleitoral.

  • As campanhas enxergam movimentos intencionais dos ministros e vão tentar calibrar as decisões a seu favor e diminuir estragos.
  • Nos bastidores, ministros rejeitam a ideia de serem instrumentalizados pelas campanhas, argumentam que as investigações seguem o seu curso e as movimentações são normais.
  • Ainda, argumentam que, por conta do período eleitoral, o que seria corriqueiro toma dimensão eleitoreira.
  • No entanto, o timing das operações, as investigações sobrepostas e os vazamentos deixam a suspeita no mundo político de orquestração dos ministros do STF, reforçada pelo cenário de desalinhamento entre os próprios magistrados e pelos conflitos internos na PF.

UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL)

Momento inoportuno para votar redução da jornada

Crédito: Gabriel Pinheiro/CNI

A possibilidade de o Senado colocar a redução da jornada de trabalho em votação durante o esforço concentrado do Congresso Nacional, entre 31 de agosto e 4 de setembro, recebeu críticas do setor produtivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera o momento inoportuno.

“Após as eleições teremos condições de discutir com a moderação que o assunto requer. Não é correto que esse processo sofra pressão de momentos eleitorais, porque sabemos que as decisões não virão equilibradas”, enfatizou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Ele reforça que discussão sobre jornada e escala de trabalho é legítima, mas defende que eventuais mudanças considerem as diferenças entre setores, atividades e processos produtivos — o que requer mais tempo de discussão e uma apreciação sem as pressões do momento político.


2. Ausências notáveis

Flávio Bolsonaro durante evento de campanha em Maceió / Crédito: Charles Vieira/Divulgação

Flávio Bolsonaro abriu sua campanha no Nordeste por Alagoas — estado de seu vice, o deputado Alfredo Gaspar, e cuja capital foi a única nordestina em que Jair Bolsonaro venceu Lula em 2022, Mariah Aquino escreve no JOTA, direto de Maceió.

  • O senador foi acompanhado ao longo do dia por apoiadores e políticos locais do PL.
  • Gaspar, por sua vez, ganhou protagonismo, discursou ao lado de Flávio e foi recebido com entusiasmo em encontro com empresários.

Sim, mas… A passagem por Maceió teve a ausência de JHC (PSDB) e, nos principais atos, de Arthur Lira (PP).

  • JHC, candidato ao governo, não participou dos atos, apesar do apoio público de Flávio à sua candidatura.
  • Lira, candidato ao Senado e também apoiado pelo PL, apareceu apenas no último compromisso do dia, um culto em comemoração aos 111 anos da Assembleia de Deus no estado.

🗣️ O que disse Flávio Bolsonaro:

  • O candidato usou um versículo bíblico para criticar a alta carga de impostos e a reforma tributária, que descreveu como tendo “muito pouca simplificação tributária” e o “maior imposto sobre valor agregado [IVA] do mundo”.
  • Também criticou a redução do poder de compra dos brasileiros, o endividamento das famílias, o processo que levou à condenação de seu pai e as restrições impostas a ele.
  • Em outros momentos durante o dia, Flávio falou sobre o combate a facções criminosas e criticou as restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes ao pai.
  • “Eu quero dizer a todos esses integrantes de PCC, Comando Vermelho, milícia: metam o pé do Brasil até o final do ano, sem serem presos ou neutralizados pela nova polícia. Eu e o Gaspar vamos devolver os territórios que eles roubaram do nosso país. Vamos devolver a soberania para cada um dos mais de 50 milhões de brasileiros que hoje moram em áreas de brasileiros que hoje moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas.”
  • “O Nelson Mandela, lá na África do Sul da ditadura, podia receber carta, podia se comunicar. Até os presos políticos do Mussolini, do fascismo italiano, podiam receber carta, enviar a carta podiam se comunicar. Mas hoje aqui no Brasil, o presidente Bolsonaro não apenas não pode se comunicar, não pode escrever carta.”

⏩ Pela frente: A agenda do candidato continua hoje (26) em Arapiraca, segundo maior colégio eleitoral do estado, onde está prevista uma motociata.

  • Em seguida, Flávio se reúne com representantes do setor produtivo do Agreste e do Sertão.

3. Aos trancos

Lula e Alcolumbre em evento no Planalto / Crédito: Mateus Bonomi/Anadolu via Getty Images – 13.ago.2025

Lula deve reforçar o pedido por rapidez das pautas prioritárias em encontro com Davi Alcolumbre, hoje (26), mas ainda é improvável que a PEC pelo fim da escala 6×1 seja analisada em plenário antes de novembro, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.

  • O presidente do Senado disse a empresários e colegas que só analisará o tema depois da eleição.
  • A promessa poderia ser antecipada para o período entre primeiro e segundo turno, caso Alcolumbre avalie que dar esta vitória a Lula pode ajudá-lo também na disputa pela recondução à presidência do Senado, em fevereiro do ano que vem.

🔭 Panorama: A PEC chegou na CCJ na última sexta (21), junto ao anúncio de que o relator seria o governista Omar Aziz (PSD-AM).

  • O senador pretendia apresentar o parecer na semana de esforço concentrado, mas antecipou para amanhã (27).
  • A CCJ realizará audiência pública na próxima semana, quando também ocorrerá a leitura do parecer.
  • O parlamentar não apresentará mudanças no texto, mas pode aceitá-las, diante da pressão de colegas.
  • Ainda na CCJ, a oposição utilizará todas as ferramentas para evitar a votação da proposta no colegiado, como pedido de vista, mas integrantes dela admitem que as chances de sucesso da obstrução são baixas.
  • O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), também aliado palaciano, quer aprová-la na próxima semana e deve conceder vista abreviada para que não impeça o trâmite do texto.

O regimento do Senado diz que uma PEC tem de ser discutida por cinco sessões antes de ser aprovada.

  • Há precedente para aprovação de quebra de interstício, mas a Casa pode estar mais esvaziada, já que será presencial e senadores estão em campanha.
  • Além disso, o próprio Alcolumbre não tem demonstrado interesse em dar celeridade ao tema.

4. Dissonância

O ministro Dario Durigan / Crédito: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

O coordenador da campanha de Lula à reeleição, Sergio Gabrielli, continua atrapalhando os planos da equipe econômica de manter viva a ideia de que há um exagero com a situação fiscal.

As declarações pregam para convertidos e afastam um público que o ministro Dario Durigan tenta conquistar, Fábio Pupo analisa no JOTA PRO Poder.

🔭 Panorama: Gabrielli publicou artigo sintetizando o que vinha dizendo nos bastidores.

  • O ex-presidente da Petrobras vê a situação dos juros como a real culpada pelo estado das contas públicas, pelo tamanho do déficit nominal, mas contesta a relação estreita disso com os gastos do governo.
  • “Embora as condições fiscais influenciem a inclinação da curva [de juros] — especialmente por meio da disciplina fiscal corrente e das expectativas —, a abertura do trecho longo não pode ser atribuída exclusivamente à suposta irresponsabilidade fiscal”, escreve Gabrielli.

Na Faria Lima, economistas concordam que há certo exagero dos analistas ao comentar as contas públicas.

  • Por outro lado, rechaçar a necessidade de um trabalho duro com os números fiscais neste momento não ajuda em nada a missão de tranquilizar quem está preocupado com o futuro.
  • Para quem acompanha de perto, Gabrielli aparenta estar por fora do centro de decisão do governo e suas falas parecem não ter a mesma relevância das de Durigan.
  • Suas declarações públicas, portanto, causam um ruído desnecessário com o mercado em um momento delicado da disputa.

Quem representa a parte econômica de Lula é Durigan, que tem reiterado seu compromisso fiscal — e já emplacou uma limitação nos gastos de saúde para o ano que vem.

  • Mas o fato de Gabrielli continuar falando alimenta dúvidas sobre o que de fato quer o presidente para um novo mandato.

🔖 Leia mais: Representantes das campanhas presidenciais na área econômica participaram ontem (25) de evento do Movimento Brasil Competitivo e da Exame:

Aliás… O governo planeja prorrogar o subsídio para a gasolina usando o mecanismo de subvenção previsto na MP 1.358/26, que caduca em 9 de setembro, Fábio Pupo e Daniel Marques Vieira escrevem no JOTA PRO Poder.

  • O formato ainda estava sendo discutido ontem (25), mas a intenção do governo era estender a iniciativa até o fim desse prazo, mantendo a subvenção de R$ 0,44 por litro por meio de portaria baseada na MP.
  • O entendimento no nível técnico é que não é possível prorrogar os efeitos para além do prazo da MP e, por isso, a tendência é haver uma extensão até a data final de validade da medida e, depois, recorrer ao PLP dos Combustíveis, aprovado neste mês, para avalizar uma nova iniciativa.

5. Multa milionária

Crianças indígenas usam celulares em aldeia no Pará / Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) concluiu que o TikTok permitiu o tratamento irregular de dados pessoais de crianças e adolescentes, tanto na navegação sem cadastro como na criação de contas — e multou a ByteDance em R$ 153,7 milhões, Karol Bandeira escreve no JOTA.

🤖 Panorama: A nota técnica da reguladora apontou que a empresa não adotou medidas eficazes para impedir, desde a origem, o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados.

  • A decisão também determinou a eliminação dos dados coletados de forma irregular e a apresentação de um plano de conformidade com medidas para corrigir as falhas.
  • O principal ponto de atenção foi o feed sem cadastro, modalidade que permitia acesso ao TikTok sem criação de conta e sem mecanismos adequados de verificação de idade previstos pelo ECA Digital.
  • Segundo a ANPD, essa estrutura tornava ineficazes as demais barreiras de proteção, já que crianças e adolescentes poderiam acessar o feed antes de passar por qualquer aferição etária.
  • No feed com cadastro, a agência também identificou falhas nos mecanismos usados para impedir o ingresso de menores de 13 anos.
  • A nota técnica afirma que o modelo baseado em autodeclaração de idade é insuficiente como única barreira de entrada.

A ByteDance informou ter removido 7,75 milhões de contas de crianças no Brasil entre outubro de 2022 e setembro de 2023, número que, para a agência, evidenciou a ineficácia das salvaguardas adotadas.

  • Como resposta ao processo, a ByteDance se comprometeu a implementar um plano de conformidade para reforçar a proteção de menores no TikTok.
  • Entre as medidas previstas estão a aplicação automática de configurações mais restritivas de privacidade para contas de usuários com menos de 16 anos, o reforço de mecanismos de supervisão parental e filtros mais rigorosos para conteúdos inadequados.
  • Na versão sem cadastro, o TikTok deverá suspender anúncios no Brasil, limitar o acesso a conteúdos apropriados para todas as idades e reduzir a coleta e o processamento de dados pessoais.
  • O acesso sem cadastro também deverá ter restrições, como limite de 12 horas de uso e bloqueio de funcionalidades como criação de conteúdo, comentários, mensagens diretas, interações sociais e lives.

6. Novo revés

Loja das Casas Bahia na marginal Tietê, em São Paulo / Crédito: Divulgação

O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região extinguiu o mandado de segurança apresentado pelo Grupo Casas Bahia contra a decisão que suspendeu os efeitos das demissões coletivas realizadas pela empresa, Adriana Aguiar registra no JOTA.

  • A decisão foi tomada na segunda-feira (24) pela juíza convocada Sandra Nara Bernardo Silva, relatora do processo.
  • O mandado foi extinto sem resolução do mérito porque, segundo a magistrada, a empresa não apresentou documentos necessários para o processamento da ação, entre eles o ato judicial questionado e a respectiva intimação.

Por que importa: Com isso, continua em vigor a decisão da 11ª Vara do Trabalho de Brasília que suspendeu os efeitos das dispensas coletivas, determinou o restabelecimento provisório dos vínculos e benefícios dos trabalhadores atingidos e proibiu novas dispensas coletivas sem a participação das entidades sindicais.

  • Para o diretor secretário-geral da CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio), Lourival Figueiredo Melo, o novo desdobramento reforça a necessidade de negociação entre a empresa e os representantes dos trabalhadores.
  • “Não queremos impedir a recuperação ou a reorganização da empresa. O que defendemos é que uma reestruturação com impacto sobre tantos trabalhadores não seja feita sem diálogo. A empresa precisa sentar à mesa com as entidades sindicais e buscar uma solução negociada”, afirma.
  • A CNTC também pediu a mediação do MPT (Ministério Público do Trabalho).
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