O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22/9), em Nova York, com críticas ao enfraquecimento do multilateralismo e ao que chamou de “crise de liderança” mundial.
É a décima vez que o petista discursa nas Nações Unidas. Em sua fala, disse que o mundo vive “o momento mais crítico” da ONU desde que ocupou a tribuna pela primeira vez, em 2003. Também fez críticas ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, “pelo genocídio praticado” em Gaza e ao Hamas “por atos terroristas”. Também falou sobre limitar bets e big techs e sobre negacionismo climático. Lula terminou o discurso com um recado direto ao eleitorado brasileiro, a 12 dias da eleição.
Embora não tenha citado Donald Trump nominalmente, Lula fez referências indiretas aos Estados Unidos ao criticar “tentações hegemônicas”, defender a soberania latino-americana e condenar o uso de tarifas como instrumento de “coerção e chantagem”. Trump discursa em sequência no plenário.
O presidente falou sobre a ingerência externa em processos eleitorais na América Latina e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. No fim do pronunciamento, Lula afirmou que os brasileiros irão às urnas em 4 de outubro para escolher entre “democracia e negacionismo”.
“Quero concluir com uma mensagem sobre o meu país a todos os que nos ouvem. No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo”, disse Lula.
“Vão decidir entre democracia e negacionismo. [Vão decidir] se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão”, continuou.
O petista falou ainda que há candidatos que tentam “se associar a interesses estrangeiros contrários ao país”. Seu principal adversário no pleito, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem buscado apoio e interlocução com integrantes do governo Donald Trump em meio à crise entre Brasil e Estados Unidos.
O senador esteve com Trump em maio, em Washington, e também manteve contatos com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em articulações que envolveram as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros e questões relacionadas à eleição brasileira.
Lula afirmou que o país terá um pleito “transparente e competitivo”. Disse que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e que o país continuará soberano. “Ninguém nos afastará desse caminho”, finalizou seu discurso.
Palestina, Estreito de Ormuz e Ucrânia
Lula condenou a guerra em Gaza e responsabilizou o governo de Netanyahu pelo que chamou de “genocídio” contra mulheres e crianças palestinas. Ao mesmo tempo, afirmou que civis israelenses pagaram o preço dos atos terroristas do Hamas.
O presidente afirmou que há uma perseguição ao Tribunal Penal Internacional e que Francesca Albanese, relatora especial da ONU, “não pode ser silenciada por dizer a verdade”. Defendeu ainda a solução de dois Estados.
Albanese foi sancionada pelos Estados Unidos em julho de 2025 após recomendar ao Tribunal Penal Internacional a investigação de autoridades de Israel e dos EUA por possíveis crimes em Gaza. As medidas, impostas pelo governo Trump, restringiram seu acesso ao sistema financeiro americano e sua entrada no país.
Lula disse também que o Estreito de Ormuz “transformou-se em trincheira da guerra”. A rota é estratégica para o comércio internacional e tem sido reivindicada por Trump em meio à guerra entre EUA e Irã
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente disse que no conflito, que se arrasta há cinco anos, “não haverá vencedores no campo de batalha”. Segundo Lula, “a diplomacia é a única opção”.
Lula afirmou ainda que o povo da Venezuela “merece definir o próprio destino” e criticou o embargo econômico e o cerco energético contra Cuba.
Recados indiretos a Trump
Sem mencionar Donald Trump nominalmente, Lula criticou o que chamou de “recrudescimento de tentações hegemônicas” na América Latina. Também defendeu que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países da região.
Em outro momento, criticou governos que usam tarifas como instrumento de “coerção e chantagem”.
No discurso, Lula ainda afirmou ter entregue pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos uma proposta de cooperação para combater o crime organizado e a lavagem de dinheiro praticada por criminosos brasileiros no exterior.
Lula também disse que o Brasil voltou a crescer de forma sustentada e que, apesar do “tarifaço” contra a economia brasileira, o país deverá bater novo recorde de exportações neste ano.
Crime organizado
Lula afirmou que o governo brasileiro não vai “terceirizar” a responsabilidade de proteger as fronteiras e garantir segurança à população. Em uma referência indireta à atuação dos Estados Unidos na região, disse que o Brasil “não precisa de porta-aviões vigiando nossas águas”, mas de cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece organizações criminosas.
O presidente citou a operação realizada pelo Brasil contra o crime organizado em 2025, que classificou como a maior da história do país, e afirmou que o governo está enfrentando “todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime”.
Também mencionou a Lei Antifacção, segundo ele responsável por estabelecer penas superiores às previstas para terrorismo para integrantes do crime organizado.
Mudanças climáticas
Lula criticou a perda de centralidade da agenda climática nos debates internacionais. Segundo o presidente, o tema desapareceu neste ano das discussões do G7 e do G20, que reúnem alguns dos maiores emissores de carbono. “É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo”, afirmou.
O presidente disse que houve redução do desmatamento na Amazônia. Também afirmou que o Brasil seguirá pesquisando novas reservas de petróleo, como as da Margem Equatorial, ao mesmo tempo em que levará adiante a descarbonização da economia.
Minerais críticos e transição energética
O petista afirmou que o Brasil tem minerais críticos e terras raras necessários à transição energética global e que as riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro. Segundo ele, o acesso estrangeiro aos minerais deverá ter como contrapartidas a geração de valor no território brasileiro, a transferência de tecnologia e o abastecimento de setores estratégicos nacionais.
Big Techs e IA
O presidente defendeu a regulamentação das Big Techs e da inteligência artificial. Segundo Lula, “um punhado de tecno-oligarcas” promove uma corrida tecnológica “sem freios éticos” e à revelia da ONU. Também citou o papa Leão 14, segundo quem decisões sobre tecnologia não devem ser separadas da consciência e da responsabilidade.
Lula ainda criticou a indústria das bets, que, segundo ele, transforma o vício em lucro, e afirmou que o Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio. Na mesma linha, disse que o governo não cederá a pressões de multinacionais que queiram “privatizar” o Pix, definido por ele como uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos.
Escala 6×1
Também defendeu o fim da escala 6×1, com dois dias livres por semana, como forma de permitir ao trabalhador mais tempo para descanso, qualificação e convivência familiar. O presidente relacionou o fim da escala 6×1 à redução da sobrecarga doméstica.
Lula afirmou que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são alvo de ataques de “forças reacionárias” e defendeu políticas de redução da desigualdade.
“É possível colocar o pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte”, afirmou. Também defendeu corte de privilégios e investimentos em educação e saúde públicas.
O presidente ainda afirmou que mudanças não podem significar retrocessos em direitos, supremacia racial, submissão feminina ou “recolonização do Sul Global”.
Aproveite as Melhores Ofertas do Prime Day
Descontos exclusivos em notebooks, celulares, livros, eletrônicos, escritório, casa inteligente, Alexa, Kindle, SSD, monitores, impressoras e muito mais.
⚡ Ofertas por tempo limitado. Os estoques podem acabar rapidamente.
🛒 Acessar Ofertas do Prime DayTransparência: O SpedTax participa do Programa de Associados da Amazon e pode receber comissão por compras qualificadas realizadas por meio deste link, sem custo adicional para você.
Presidente também criticou tarifas, defendeu a agenda climática e pediu regulação de Big Techs e IA