JOTA Principal | Campanha eleitoral na TV começa com desafios diferentes para Lula e Flávio Bolsonaro
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JOTA Principal | Campanha eleitoral na TV começa com desafios diferentes para Lula e Flávio Bolsonaro
Presidente tenta transformar governo em argumento eleitoral; senador precisa sair da bolha e reduzir rejeições
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Lula passou quase metade da entrevista ao vivo na Globo na defensiva, respondendo sobre Lulinha, o ex-chefe de gabinete Marcola e as relações de ambos com a lobista Roberta Luchsinger; sobre as fraudes no INSS, que cresceram e foram descobertas durante seu governo; e sobre as ligações de Jaques Wagner com Augusto Lima, do Master.

Ainda assim, na comparação com os adversários que passaram antes pela bancada, o presidente se saiu bem, Fabio MuraKawa escreve no JOTA PRO Poder.

Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) tiveram desempenho abaixo do que se espera de quem pretende governar o país. Renan Santos, apesar de ideias difíceis de vender fora de sua bolha — da bomba atômica à inspiração em Nayib Bukele —, conseguiu fazer uma entrevista melhor, à sua maneira. Hoje será a vez de Flávio Bolsonaro.

A sabatina mostrou onde a campanha petista dói. O fantasma da corrupção continua rondando Lula, agora alimentado não apenas pela memória de casos antigos, mas por investigações que alcançam gente muito próxima, MuraKawa prossegue na análise.

Com cada vez menos espaço nas eleições, a televisão ainda assim é peça fundamental nas estratégias das campanhas — uma tela valiosa justamente por alcançar quem não vive de política nas redes, MuraKawa, Marianna Holanda e Beto Bombig escrevem na nota de abertura.

O período da propaganda eleitoral no rádio e na TV, que começa hoje, traz problemas diferentes para as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro resolverem.

Boa leitura e bom fim de semana.


O PONTO CENTRAL

1. Quem não se comunica, se trumbica

A campanha presidencial ganha hoje (28) uma tela que vem perdendo espaço a cada eleição, mas continua valiosa justamente por alcançar quem não vive de política nas redes, Fabio MuraKawa, Marianna Holanda e Beto Bombig escrevem no JOTA PRO Poder.

  • Lula e Flávio Bolsonaro começam o período da propaganda eleitoral no rádio e na TV com problemas diferentes para resolver.
  • O petista tentará transformar um governo que até aqui foi mais vidraça do que vitrine em argumento eleitoral.
  • O senador precisa sair da bolha bolsonarista, reduzir rejeições e convencer o eleitor de que tem algo a oferecer além da guerra política.

No PT, a televisão é tratada como estratégica, apesar do peso crescente das redes.

  • É a chance de defender o legado e o terceiro mandato de Lula sem a intermediação crítica do noticiário e com tempo para organizar uma narrativa própria.
  • O objetivo é duplo: elevar uma aprovação presidencial que vem patinando e desgastar Flávio.
  • Como a campanha já trabalha com a perspectiva de segundo turno, a meta mais realista é chegar a outubro com uma vantagem administrável sobre o principal adversário.

Flávio parte de outra premissa.

  • O sentimento que sua campanha quer explorar é a decepção de parte do eleitorado que votou em Lula em 2022.
  • Se o petista vendeu esperança há quatro anos, a mensagem agora será de que não entregou o prometido.
  • Preço de supermercado, endividamento, dificuldades de empresas conhecidas e segurança pública deverão formar a moldura dessa narrativa.

Um spoiler dessa estratégia já apareceu ontem (27), na live semanal de Flávio.

  • “Até entendo você que acreditou no Lula, porque acreditava que ele ia fazer bom trabalho, que ia cuidar dos mais pobres de verdade e hoje o que sobra é decepção, porque ninguém suporta mais olhar pra esse governo do atrasado, do passado”, disse o senador.
  • “Hoje você olha pro Lula e enxerga passado nele. Eu vou ser o presidente que olha pro futuro e pro presente do Brasil.”
  • A orientação inicial é deixar a troca mais pesada de acusações de corrupção para as redes e usar a TV para falar de vida real e apresentar algum horizonte de futuro.

Ronaldo Caiado, bem mais atrás nas pesquisas, precisa se tornar conhecido.

  • O PSD aposta fortemente nos 2min02s por bloco e nas 160 inserções a que terá direito para apresentar biografia e currículo.
  • Essa opção já provocou ruído.
  • O marqueteiro Paulo Vasconcellos defendia uma entrada mais agressiva nos grandes temas da eleição, enquanto prevaleceu a vontade de Caiado de usar os primeiros programas para se apresentar ao eleitor.
  • A divergência pesou na demissão do marqueteiro.

Aliás… O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, é o candidato a governador com mais tempo de rádio e TV entre todos os candidatos de todos os estados.

  • Tarcísio tem direito a 380 segundos (6 minutos e 20 segundos), correspondentes à representatividade partidária da sua coligação (Republicanos, PL, MDB, Democrata, Avante, PSD, PRD, Solidariedade, União Brasil e PP).
  • O único outro candidato em São Paulo que tem direito a tempo de TV no estado, Fernando Haddad, tem menos de um terço do tempo, exatos 150 segundos (2 minutos e 40 segundos). Leia mais.

UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL)

Estudantes do SENAI participam de competição na China

Crédito: Iano Andrade/CNI

O Brasil participa da WorldSkills Shanghai 2026, considerada a maior competição internacional de educação profissional, entre os dias 22 e 27 de setembro, que reunirá mais de 1.400 jovens de 70 países. A delegação brasileira chega à competição com uma marca histórica: ao lado da China, país anfitrião, será representada em todas as 64 ocupações, com jovens selecionados e preparados para competir em áreas que vão da indústria tradicional a tecnologias emergentes.

Por que importa: a WorldSkills funciona como uma vitrine internacional para a educação profissional e como referência para o desenvolvimento de competências exigidas pela economia. As provas reproduzem situações próximas às encontradas no mundo do trabalho.

Panorama: No Brasil, o SENAI e o SENAC são responsáveis pela preparação técnica e por atividades voltadas ao desenvolvimento comportamental, socioemocional e interpessoal dos competidores. O objetivo é prepará-los para provas que exigem precisão, produtividade, domínio tecnológico, capacidade de resolver problemas e controle emocional.


2. Ajuste compartilhado

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti / Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse ontem (27) que o diálogo com o Congresso definirá o ritmo do ajuste fiscal a ser implementado, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.

Por que importa: O governo prepara os últimos detalhes da proposta orçamentária para 2027, a ser enviada aos parlamentares na próxima segunda (31).

  • Segundo o ministro, o documento vai levar em conta a meta fiscal apresentada em abril, equivalente a um superávit de 0,5% do PIB (com intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo).
  • Há expectativa de membros do governo de que, depois das eleições, o Executivo possa trabalhar com o Congresso em medidas que possam trazer ajuste nas contas públicas.
  • Para Moretti, a consolidação fiscal não deixa de ser um processo político e essa relação deve nortear a força do ajuste fiscal a ser apresentado.
  • “Nós apresentamos nesses últimos anos uma série de medidas de despesa e receita”, disse à GloboNews.
  • “O diálogo seguirá com o Congresso Nacional para que a gente possa definir o ritmo desse ajuste.”

JOTINHAS

3. Acontece no Senado

  • Omar Aziz, relator da PEC do fim da escala 6×1, rejeitou 12 das 14 emendas apresentadas até o momento e manteve a matéria aprovada na Câmara. A expectativa é de que a proposta seja discutida na CCJ na próxima quarta (2). Até lá, os senadores poderão apresentar novas emendas. Leia mais.
  • Davi Alcolumbre definiu que a senadora Leila do Vôlei (PSB-DF) será relatora da MP da taxa das blusinhas. O texto, que caduca em 8 de setembro, será votado no Congresso na semana que vem.
  • O líder do MDB na Casa, Eduardo Braga (AM), vai relatar o Marco dos Minerais Críticos. O projeto também será votado no plenário do Senado na semana que vem.

4. Vai ter emoção até o fim

A partir da esquerda, Marina Silva, Guilherme Derrite, Simone Tebet e André do Prado, candidatos ao Senado em São Paulo / Crédito: Agência Brasil e Alesp

A disputa pelas duas vagas do Senado por São Paulo tem chamado mais a atenção dos analistas do que a eleição para o governo, Beto Bombig escreve em sua coluna no JOTA.

  • Ao menos cinco candidatos estão embolados na corrida pelas duas vagas paulistas no Senado a partir de 2027, de acordo com os mais recentes levantamentos.
  • Esse dado, por si só, já conferiria grande dose de emoção ao pleito.
  • Soma-se a ele o fato de que a eleição estadual — repleta de nomes conhecidos do eleitor — espelha a polarização nacional entre direita e esquerda, envolve a questão de gênero e opõe diretamente Lula ao governador Tarcísio.

📊 Panorama: A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, traz:

  • Guilherme Derrite (União-PP) com 12%;
  • Marina Silva (Rede-PSOL) com 12%;
  • Simone Tebet (PSB) com 11%;
  • André do Prado (PL) com 7%;
  • e Ricardo Salles (Novo) com 4%.

Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os cinco têm chance de conquistar uma das vagas.

Sim, mas… O principal dado é que na pesquisa espontânea, na qual os nomes dos candidatos não são mostrados aos entrevistados, 91% contam como indecisos porque não souberam citar um único nome.

  • Esse recorte corrobora o que dizem os mais experientes analistas de pesquisas: a maioria dos eleitores só começa a se interessar sobre o Senado na reta finalíssima da campanha.
  • Ou seja, os levantamentos valem pouca coisa neste momento.

Leia a íntegra da análise.


5. If you take a walk, I’ll tax your feet

O ministro Cristiano Zanin em primeiro plano e, ao fundo, o procurador-geral, Paulo Gonet, e o presidente do Supremo, Edson Fachin / Crédito: Luiz Silveira/STF

Com seis votos, o Supremo Tribunal Federal formou maioria pela incidência de IRPJ e CSLL, no Brasil, do lucro de controladas e coligadas no exterior, Katarina Moraes registra no JOTA.

  • O caso segue na pauta do plenário virtual até hoje (28) e soma três propostas de tese.
  • Agora, falta apenas o voto do ministro Edson Fachin, presidente da Corte.

Vence até agora a corrente puxada pelo ministro Gilmar Mendes.

  • Ele entende que a tributação é constitucional, considerando que os lucros pertencem à companhia nacional e que a discussão não envolve a interpretação ou aplicação de tratados internacionais, porque eles não se aplicariam ao caso específico, já que os tributos são cobrados sobre a renda da empresa brasileira, e não da subsidiária estrangeira.
  • O entendimento é acompanhado pelos ministros Alexandre de Moraes, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

OPINIÃO

6. Mandatos no STF e mais

  • “A introdução de mandatos não enfrenta nenhum dos problemas centrais do STF”, escreve Miguel Gualano de Godoy, professor adjunto de direito constitucional da UFPR, ao comentar propostas nesse sentido. “Não corrige déficits de conduta. Não restaura a colegialidade. Não impõe respeito ao processo constitucional. Não melhora a previsibilidade nem a coerência decisória do Supremo.” Leia a íntegra.
  • No artigo “O triunfo e a morte anunciada do novo STJ”, a advogada Ana Carolina A. Caputo Bastos, que atua no Caso Vale, em discussão no Supremo Tribunal Federal, opina sobre as mudanças no Superior Tribunal de Justiça e a “zona de penumbra” entre os dois tribunais. “Guardar a Constituição Federal também significa preservar a divisão de competências que ela própria estabeleceu”, escreve. “Sem isso, o novo STJ não triunfará.” Leia a íntegra.
  • “Há um jogo antigo em que alguém fecha os olhos, conta até dez e sai à procura dos que se esconderam. O governo adaptou-o à lei orçamentária, com uma diferença que desfaz a brincadeira”, José Andrés Lopes da Costa argumenta ao comentar o que chama de esconde-esconde fiscal. “Inscreveu no projeto de lei orçamentária de 2027 a receita esperada da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do Imposto Seletivo, e escondeu as alíquotas de que essa receita foi extraída.” Leia a íntegra.
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